domingo, 14 de abril de 2013

Desconstrução do amor

"Simplesmente aconteceu
Não tem mais você e eu
No jardim dos sonhos
No primeiro raio de luar
Simplesmente amanheceu
Tudo volta a ser só eu"     Ana Carolina
Trilha sugerida:
Simplesmente aconteceu  - Ana Carolina

Só agora, depois de tantas tentativas, tantas frustrações, tantas conversas, tantos choros e tantas perguntas, consigo falar sobre isso: a desconstrução de um amor.
Pensamentos obscuros, onde foi que errei? Onde foi que erramos? Não é assim que funciona. Ninguém é responsável pela felicidade de ninguém. Ah, que novidade! A felicidade vem de dentro pra fora. Se não estamos abertos para sermos felizes, ou acreditamos que nunca seremos, criamos uma massa concreta no nosso coração que, por mais que tentemos, não conseguimos e culpamos o outro.
Criamos um mundo em que, por mais que saibamos as teorias do que é a felicidade, de que não podemos ser a extensão do outro, de que precisamos nos valorizar, jogamos a responsabilidade no outro. Talvez para que nos sintamos menos impotentes, incompetentes. "Ele não me merece", "Me entreguei completamente, para quê?" "Fiz tudo por ele." "Azar dele, perdeu a beldade aqui." 
Isso tudo porque não queremos fracassar. 
P A R A  T U DO  !
Vamos nos mexer! Chega de prostração. O mundo não para porque você parou e aí você perde o que de mais sagrado ganhamos: nossa vida. Sim, cheia de atribulações, dificuldades, tropeços, quedas; no meu caso, literalmente, frustrações. Adianta se isolar? Ficar chorando pelos cantos? Culpar os outros?
M E X A  -  S E  !
Toda forma de amor vale a pena. Ame ao próximo, sua família, seus filhos, as pessoas que fazem parte do seu dia a dia. Procure ajudar às pessoas, com certeza, essa ajuda fará melhor a você do que a ela mesma.
Quando nos relacionamos com alguém, nós construímos a imagem que queremos daquela pessoa. Só vemos o lado bom. E por outro lado, é do ser humano, ao nos aproximarmos do outro, vendemos também só o lado bom. Ou vai me dizer que despejamos todos os nossos defeitos? Ninguém faz isso. No entanto, com o tempo , aquela imagem vai se modificando, tomando a forma real da pessoa, a nossa imagem.
Não necessariamente ela tenha mentido, apenas omitido e floreado as qualidades.
A desconstrução do amor não é fácil, tanto pela aceitação de que criamos alguém que não existe, de que a pessoa não é tão especial assim, como também pela separação em si. Toda separação é dolorosa.  Toda separação nos dá aquela sensação de fracasso. E não podemos olhar só por esse lado: a relação valeu a pena enquanto durou e durou o tempo que era necessário. O importante é preservar as boa lembranças e aprender com os erros. Ninguém é culpado. O mundo se move assim o tempo inteiro. Para alguns, a relação é para sempre; para outros, só um encontro ou, se preferirem, desencontro.

Só de sacanagem - Elisa Lucinda


Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta a prova? Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro. Do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta a prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e todos os justos que os precederam. 'Não roubarás!', 'Devolva o lápis do coleguinha', 'Esse apontador não é seu, minha filha'. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar! Até habeas corpus preventiva, coisa da qual nunca tinha visto falar, sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará! Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear! Mais honesta ainda eu vou ficar! Só de sacanagem!
Dirão: 'Deixe de ser boba! Desde Cabral que aqui todo mundo rouba!
E eu vou dizer: 'Não importa! Será esse o meu carnaval! Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos.' 
Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão: 'É inútil! Todo mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal!'
E eu direi: 'Não admito! Minha esperança é imortal, ouviram? Imortal!'
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração?


2010


 A diferença de idade até poderia nos impedir de ter uma amizade. 
 2001: você na 5ª série e eu sua professora de Português. Até a 8ª série. Amor  a primeira vista.
 Já até perdi as contas: 21, 22, 23? Quantos anos você está fazendo?
O que nos separam são 20 anos, mas na nossa amizade isso não faz diferença alguma. Trocamos confidências, conselhos. Vamos às baladas.
E o mais importante: nada, nem ninguém, nem o tempo nem a distância nos afastam. Já brigamos, choramos e rimos juntas e a confiança sempre inabalável, sem cobranças, sem culpas.
Essa é a amizade que faz bem. Essa é a amizade que quero para sempre. Te amo muito!

Feliz Aniversário, Má!

2005



domingo, 12 de agosto de 2012

Pai: meu herói, meu bandido!

"Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais" Pato Fu

Trilha sonora sugerida:
Canção pra você viver mais - Pato Fu

Ei, pai, hoje estou lhe escrevendo, não mais para lhe dizer o quanto o odeio.
Nunca imaginei um dia lhe dizer que o amo. Nunca imaginei lhe pedir perdão.
Há um tempo eu quis fazer um texto "para você viver mais".
Meu pai,  hoje quero lhe pedir perdão, por todas as vezes que o julguei, sem ao menos saber a realidade da vida.
Muitas vezes o culpei por minha infelicidade, sem saber ao menos o quanto sofria.
Você sente falta daquela garotinha que fui? Você me abraçava e eu me sentia uma princesa.
Ainda me lembro do amor que por minha mãe tinha. Dos beijos, carinhos, das vezes que a pegava no colo.
Como podia ter assim personalidades tão distintas?
Hoje sei um pouco mais da vida e sei que nada daquilo era falso, era realmente amor. Era o que você queria: uma família.
Peço-lhe perdão hoje, por saber que existe muito mais do que imaginamos.
“Culpamos nossos pais por tudo, mas são crianças como nós.”
Hoje sei que deveria ter ficado ao seu lado.
Onde você estiver, me perdoe. Liberte-se, me liberte.
Você sente falta daquela garotinha que fui?

Precisa falar algo?

Você me jogava para o alto e eu confiava. Sabia que me pegaria. Não me deixaria cair.

Eu sinto falta daquela garotinha que fui. Sinto falta da garotinha ingênua que não entendia porque num dia me dava carinho e no outro me fazia fugir de medo.
Hoje sei que me amava. Hoje sei que sofria porque o amava tanto que não concebia o fato de me fazer sofrer. De fazer sofrer minha mãe e meu irmão.

Descontração: poucos momentos como esse que se eternizaram no meu coração
Siga em paz. Fique em paz.
Demorei a entender.
Mas hoje sei que tudo o que passamos tem uma justificativa, um porquê.
Pai, eu o amo e talvez o meu maior sofrimento é saber que podia tê-lo por mais tempo ao meu lado, ao lado de meus filhos e não pude. Perdoe-me!
Amo você, Pai!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Os bons morrem jovens

2009.
Foi quando a conheci. De imediato me identifiquei com você, pequeno ser ainda, sexto ano. Já impunha suas opiniões, lutava pelo que queria, brigava por si mesma e por seus amigos. Não adiantava simplesmente dizer que era assim ou assado. Tinha que convencê-la com bons argumentos, porque senão, já era. Na minha cabeça, você é a personificação da personagem do Quino, a Mafalda
.                                      
Desde então passei a observá-la: seu jeito, modo de falar, a forma como se relacionava com o colegas. Já era uma líder nata. 11 anos. Como não admirá-la? Escrevia e falava bem, inteligente, perspicaz, mandona. Pequeno ser? Devo me corrigir. De pequena, só sua altura.
2010. 
Nós só nos esbarrávamos nos corredores da escola.
2011.
Voltamos a nos encontrar em aula. Com o amadurecimento, ficou uma pessoa ainda mais encantadora. Ainda mais crítica, confesso, questionava tudo, até as broncas. Tínhamos um cumplicidade silenciosa, um carinho recíproco.


2012. Minha melhor aluna do 9º ano. Sempre dedicada, empenhada e caprichosa. Suas participações em aula sempre foram de muita valia, sempre ajudando a todos e nada destas qualidades tiravam o brilho de sua juventude: linda, apaixonante, autêntica, amada e querida demais.Destas pessoas ímpares que sempre queremos ao nosso lado, com uma energia tão positiva, uma alegria contagiante. Destas alunas que rezamos todo início de ano para encontrarmos.

"É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais" Renato Russo


Nosso último contato mais pessoal foi numa das últimas aplicações de prova: Geografia. Como foi uma das que primeiro acabou, pedi para que me ajudasse com as notas nas planilhas no notebook. Sempre solícita, me ajudou de imediato e foi a única vez que externei meus sentimentos: "Sou sua fã". Você sorriu meio sem graça. As pessoas não estão acostumadas com elogios. E eu também preciso aprender a elogiar mais. 
Tantas manhãs se passaram, pareciam infindáveis. Só que neste ano chegou ao fim... Cedo demais!

Vai com os anjos
Vai em paz


Love in the Afternoon - Legião Urbana



Você cumpriu sua missão aqui, sei que está bem ao lado do nosso Pai. 

Obrigada Grande Pequena Paula.

domingo, 13 de maio de 2012

À Minha Mãe


"Sempre que o meu pranto rolar
Ponha sobre mim suas mãos
Aumenta minha fé 

e acalma o meu coração" Roberto Carlos


Minha avó, eu e Minha mãe
Agradeço-lhe
Por toda a sua dedicação
Ao longo de minha trajetória
Pela renúncia de seus sonhos juvenis
Pela sua doação ao cuidar de mim.

Agradeço-lhe
Pelas mãos sempre estendidas
Para me tirar do chão
Após as primeiras tentativas de caminhar,
Pelas minhas quedas, nos obstáculos da vida.

Agradeço-lhe
Pelos ensinamentos repassados
Os de escola: português, matemática, ciências
Mas principalmente os de valores:
Honestidade, justiça, solidariedade e agradecimento.

Agradeço-lhe
Por estar sempre comigo, mesmo distante,
Mesmo não concordando comigo,
Orando pelo meu bem,
Orando pelas minhas escolhas.

Por fim...

Agradeço-lhe
Por ser o maior de meus exemplos:
De força, garra, perseverança, amor e fé!
Por ser  aquela que sempre recorro nas minhas angústias
E mês traz de novo e de novo e de novo a esperança de ser feliz!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Predestinação

"...Vou sair
Tá fazendo muito frio lá fora
Mas tô querendo me isolar
Sinto falta de estar contente
Eu quero a vida que eu vim buscar" - Nila Branco



Trilha sonora sugerida: Nossa música - Nila Branco

Tentei driblar a minha história, me esquivando da mesmice, peitando o destino e o desafiando.
Trilhei caminhos que não imaginei que pudessem existir.
Arranquei do fundo da minha alma a força que necessitava, fui honesta com meus sentimentos e com as pessoas. Não queria viver uma mentira, mas por vezes a verdade dói demais e acabei magoando muita gente.
Vivi plenamente o amor em todas as suas instâncias: prazer, cumplicidade, romantismo, saudade, querência, dependência, obstáculos, preconceito e, principalmente, renúncia.
Respirei o amor, me alimentei do amor, vivi do amor.
Foi uma amostra de como a vida pode ser bela, de como é ser feliz.
...
O mau tempo veio e com ele tudo começou a desmoronar. Atitudes frias, descaso, esquecimento, alheiamento. Gestos automáticos e palavras vazia. O silêncio.
O amor perdeu seu valor. O novo se transformou em rotina. As juras de amor, em pieguice.
O mundo gritava lá fora e saímos da clausura. Ficamos expostos e tudo voltou a ser como antes.
ROTINA*ROTINA*ROTINA*ROTINA*ROTINA*ROTINA*ROTINA*ROTINA*ROTINA*
Novamente fui engolida por ela.
Sem mais palavras doces.
Sem mãos bobas.
Sem a perda de ar.
Sem respiração ofegante.
Sem coração acelerado.
Sem audição e visão parciais.
Só o mundo real. Cruel e avassalador.
Toc, toc, toc. Bateram à minha porta. O meu destino. Ele voltou.